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Ciclotur Debute da Manu Saboia – De Curitiba à Florianópolis

Postado em 05 janeiro 2016 por Manu

Quando fiquei sabendo que iria ter um recesso no meu trabalho entre o natal e o ano novo e pensei o que iria fazer nesses dias e onde iria passar a virada do ano, a lâmpada de ideia acendeu sobre a minha cabeça e…. porque não fazer minha primeira cicloviagem?

Tracei uma rota de Curitiba a Florianópolis dando preferência às estradas o mais próximo possível da beira mar e longe das auto estradas. Porém a distância aumentaria de 302 km para 451 km. Como faria o trajeto em 4 dias, de 28 a 31/12, seriam mais de 100 km por dia. Será que daria conta? Já havia pedalado mais de 250 km num dia, mas pedalar 100 km por dia não sabia como seria, como meu corpo responderia, porque traria comigo o desgaste do dia anterior e a bagagem na bike. Mas a vantagem deste trajeto seria o número reduzido de subidas, quase tudo é plano.

A princípio iria fazer sozinha e caso encontrasse alguém que topasse essa viagem nesta data (o mais difícil), claro que seria melhor. Falei com um amigo meu, o Marcus, que conheci no meu primeiro Audax,o de 100km da Lapa em 2013, e pedalamos juntos algumas vezes desde então. Passei o trajeto pra ele e ele pensou, pensou e pensou (rs) e decidiu ir junto pelo menos até o terceiro dia.

Bora preparar a bike !! Quem me conhece e já me viu pedalando sabe que não tenho nenhuma bike sofisticada e nunca foi empecilho para as atividades que desenvolvo com ela.
Eu tenho dois alforges urbanos, adaptei uma alça em um deles para prender sobre o outro, e para 4 dias seriam suficientes para carregar a tralha. A minha sundownzinha guerreira estava em boa forma, com peças e pneus simples mas tudo tinindo de novo. Minha mãe costurou minha bandeira laranja fosforescente pra me verem na estrada.Tudo pronto !!

Dia 1 – 4 horas da matina já estava acordada . Ansiedade para começar a brincadeira !! Encontrei o Marcus no posto da 277 em torno de 08:30 da manhã e seguimos com destino a Matinhos. Seria um dia tranquilo para as pernas e até poderíamos ter ido mais adiante, mas não queria me desgastar num dia e não dar conta no outro. De prazer paradinha em todos os SAUs para tomar cafezinho e até o SAU em frente ao Bela Vista, BR277- na Serra do Mar, o tempo estava agradável e sem chuva. Paramos um bom tempo ali e o papo rolava com turistas/ciclistas que passavam ali de bike ou carro e perguntavam pra onde estávamos indo. Quando estávamos nos preparando para seguir apareceu o Aramis, que mora em Paranaguá e iria nos encontrar na estrada mais adiante mas acabou subindo parte da serra para nos encontrar antes e seguiu conosco até a praia de leste. E lá fomos os três pedalando debaixo de chuva. Paramos para almoçar em praia de leste e botamos na conta do Aramis (brincadeirinha , mas foi ele que pagou. Obrigada Aramis pelo almoço!). Chegamos na casa da minha tia em Matinhos no final da tarde onde passaríamos a noite. Família reunida, comidinhas, cerveja e a conversa foi longe.(esquecemos a foto )

Dia 2 – No dia seguinte saímos de Matinhos com destino a Itapocu – SC (que fica pra frente de São Francisco). Porque em Itapocu ?? pelos km diários que queria manter e se ficássemos em São Chico ficaria muitos kms para o outro dia, se fosse até Barra Velha aumentaria demais a distância nesse dia e também não achei pousada barata pra essa data nem lá e nem em Barra do Sul (se tivesse encontrado tinha mudado o trajeto). Saímos com uma chuvinha de Matinhos. Pegamos o ferry para Guaratuba, seguimos por Itapema , Itapoá e pegamos a terrível estradinha para a Vila da Glória. Foram uns 8 km sofridos devido a quantidade de buracos que tinham ali (acho que nem sempre é assim, tivemos azar). Até para os carros estava difícil. Que felicidade quando entramos no asfalto novamente. Na Vila pegamos o ferry para São Francisco onde até mesmo as bikes pagam a travessia. Chegamos na pousada, na beira da BR 101, em Itapocu aproximadamente 9 horas da noite para jantar um tal de churrasquinho (um pão com alcatra …hahaha), gostoso mas meio caro, e dormir.

Dia 3 – Saímos mais cedo neste dia. Passamos por Barra Velha, Piçarras, Penha , Beto Carreroooooo, Navegantes, ferry boat pra cruzar para Itajaí ( tão rápida essa travessia, que enquanto mandava mensagem para o Rodyer já tinha acabado) e chegamos em Camboriú por volta das 13 horas. Muito legal esse trecho , muitas ciclovias, praia, mar e a primeira subida de verdade na entrada de Camboriú. Em Camboriú o Rodyer e a Cati estavam nos esperando para almoçar e com uma bera gelada (Ebaaaa!!). Após o almoço seguir viagem, pois ainda faltava muito a pedalar . O Rodyer nos acompanhou na sua potente dobrável até a saída para a 101. E lá fomos nós para segunda subida da viagem (hahahaha, eram tão poucas que dava até pra contar) o tal Morro do Boi “lazarento” (ou seboso como disse o Rafael Dias). Passamos por Itapema e chegamos em Porto belo. Lá, um cara do couch surfing iria nos hospedar. no encontramos com ele e nos indicou como chegar na sua casa e disse que chegaria mais tarde por estar trabalhando . Era lá no fim da estradinha de terra, á direita do pedágio, no interior de Porto Belo. De Porto Belo até o pedágio pegamos uma estrada que tinha ciclovia, mas eu não entrei nela e aí ganhei um pito de um caminhoneiro que me mandou sair da rua. Ele foi buzinado atrás de mim até eu sair. Aí eu obedeci e cruzei para o outro lado na ciclovia. Chegamos na casa, cabana, palafita , e…. eu não quis ficar lá ..kkkk .. o Marcus falou que ia espalhar pra todo mundo que eu não quis ficar por causa das aranhas gigantes. Foi também por isso …hahaha. Seguimos adiante até Tijucas. Lá fomos à caça de uma pousada para mim já que o Marcus iria voltar para Curitiba naquela noite. Entrava em uma – lotada , em outra – passaram a vaga pra outras pessoas só por ganância já que eu só pagaria metade do valor por estar sozinha, em outra -quando estava fechando a reserva, a moça falou que não estava livre o único quarto disponível ( muito estranho isso) e lá fomos nós para a última cartada : Hotel Tijucas, meio fuleiro, mas tinha um teto e um chuveiro e pra quem não quis dormir com as aranhas teve que dormir com as baratas e não iria precisar dormir no chão da rodoviária. O Marcus pegou ônibus 10 horas da noite rumo a Curitiba.

Dia 4 – Último dia do ano !! Acordei bem cedo e fui tomar café da manhã na rodoviária. No hotel não tinha e lá era o único lugar aberto aquela hora. Quando precisei ir no banheiro, pedi para a moça da lanchonete olhar a bike pra mim e ela disse: ah, aqui ninguém mexe. Dia de chegar ao meu destino – Florianópolis. O dia estava lindo, belas paisagens na estrada. Segui pela 101, não tinha outra opção. Atravessei a ponte do continente para a ilha de Florianópolis aproximadamente 11 horas da matina. Na ponte tem uma ciclovia por debaixo dela, não pode passar por cima, já tinham me avisado antes.E ainda faltavam 35 km pra chegar na casa do Nelson, que fica na praia dos Ingleses. O sol de rachar (meus lábios estavam queimados e rachando literalmente), calor de 40 graus marcando no termômetro da estrada. O negócio era seguir em frente, queria chegar logo. Foi o dia que encerrei o pedal mais exausta, devido ao calor, à altimetria e por ter pedalado uma quilometragem não tão maior que nos outros dias, mas mais direto, com poucas pausas. Já em Floripa, na ciclovia da SC-401, me enganei com a passarela que deveria atravessar (apesar que no fundo acho que iria dar no mesmo) e perguntei para um ciclista por onde seguir, batemos um papo e segui por um lado e ele para outro. Depois achei que estava errada e retornei e encontrei ele novamente e ele: posso tirar uma foto sua, achei incrível a sua história. Legal isso! Em alguns trechos da SC-401 após as primeiras serras( nas subidas praticamente não tem nem acostamento) tem uma ciclofaixa no acostamento que ajuda de certa forma você se sentir mais bem quisto na estrada. Mas infelizmente, 4 dias antes de eu passar ali , um ciclista perdeu sua vida para um motorista bêbado. Na SC-403 tem uma ciclovia de verdade, por onde segui até a praia dos Ingleses. Até perguntei se a ciclovia ia até lá para um senhorzinho de bicicleta e falei que tava vindo de Curitiba e fomos conversando até ele parar no seu destino e eu continuei. Cheguei na praiaaaaaaa ….uhuuuuu !! Encontrei o Nelson para pegar a chave da casa e lá fui eu para o meu repouso com direito a um suco gelado delicioso de Taperebá da Amazônia (mas como assim ser recepcionada com suco da Amazônia se você chegou em Floripa ? Explico, a Fabi , mulher do Nelson, é de Manaus, então pra ela não sentir tanta saudades de casa a geladeira tá repleta de produtos da Amazônia, hehe. Passamos a virada do ano juntos, eu, Nelson e Fabi na praia e com direito a uma bela janta preparada pela Fabi. A sobremesa, o mousse de cupuaçu, acabou ficando para o café da manhã e estava uma delícia.

Dia 5 – Dia de retornar à terrinha, de ônibus é claro.Neste dia ainda teve um pedalzinho de 35 km pra chegar na rodoviária. Iria retornar as 15 horas , mas saí um pouco antes das 11 da casa do Nelson, com medo de furar um pneu e perder a hora. Seria muito azar também , depois de tantos kms furar pela primeira vez justamente neste dia . Mas para a minha felicidade : nenhum furo em toda a viagem !! Me despedi da Fabi e o Nelson seguiu até o início da primeira subida comigo. Voltei de ônibus da empresa Catarinense e nem precisei desmontar a bike. Atendimento excelente !! Muito bom!!! A viagem atrasou devido a acidentes e congestionamentos na estrada e cheguei na cidade fantasma de Curitiba, debaixo de chuva, quase 10 horas da noite.

Foi um total de 473,08 km pedalados nestes dias. Descobri que posso ir mais longe que imaginava.
Primeiro ciclotur concluído com sucesso !! Uma das melhores viagens da minha vida. A dor na bunda e o cansaço são apenas detalhes depois que você termina.

Agradeço ao Marcus, meu parceiro em quase toda a viagem ,ao apoio de todos os Dapianos, fundadores do DAP que encontrei no caminho e me acolheram, à minha família, à todas as informações e experiências sugadas em silêncio de vários amigos que já são veteranos nisso, inclusive meu irmão, e por tudo ter corrido dentro dos conformes.

Hora de fazer novos projetos,
porque uma vez contaminado com esse vírus,
não tem volta.

12 Comentários para este Post

  1. Burg Junior Says:

    Parabéns Manu… a primeira de muitas.

  2. Ton Leal Says:

    Parabéns Manu! Sensacional! Muito bacana a sua viagem. Tirei o capacete pra você!

  3. Jackson Demarch Says:

    Muito legal, adorei o relato ,parabéns.

  4. Rogenio Says:

    Show de Pedal.. Show de Relato…. Guerreira… Parabéns Manú… foi legal acompanhar o pedal pelo ZAPP e agora “sentir” um pouco do que você passou…

  5. Alexandre Ritter Says:

    Parabéns! Adoro ler estes relatos e fico sonhando em algum dia ser possível fazer também.
    Bons ventos para você manu e que suas pedaladas sejam repletas de alegrias.
    Super beijo.

  6. Manu Says:

    Valeu pelas mensagens! E é isso mesmo, espero que sirva de inspiração para quem ainda não teve coragem. E fico feliz em dividir essa experiência com todos.
    Obrigada Burg, Ton, Jackson, Rogenio , ALexandre.

  7. Cassiano Robert Says:

    Manu!!!
    Que massa abrir este post e descobrir que era você a aventureira!
    Fico muito feliz com sua aventura…
    Fiquei com vontade! Heheh
    Abracao!!

  8. Manu Says:

    Coloca a vontade em prática Cassiano. E vai curtir essa vida de bike que é muito boa . Abraços !!

  9. Helinho Says:

    Bela cicloviagem Manu.
    Parabéns e agradeço a partilha da experiência. Que possas fazer muitas outras nesse planeta azulzinho.

  10. Emi Says:

    Manu, parabéns pela viagem e pela narrativa. Agora ninguém segura esta mulher!!!

  11. Marcus Says:

    Tá certo Manu…realmente show de pedal…valeu a parceria!…Mas é aquele negócio, nada como um banho e uma noite de sono…e recomeçar o pedal no dia seguinte! ;)

  12. Moisés Marcus Retka Says:

    Show Manu, belo relato e parabéns pelo pedal. Cicloturismo não é muito a minha praia mas confesso que deu “inveja” deste pedal… hehehe. Parabéns e que venha a próxima.

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